Quando se pretende falar de
sábios e santos, é preciso viajar muito para trazer ao nosso tempo memórias tão
adormecidas. Infelizmente, tantos chamados de santos não merecem serem se quer
lembrados, já outros tantos chamados de sábios, igualmente.
Os Papas canonizam os santos e os
editores os sábios. O mínimo que se pede para ser santo, além de estar morto,
são dois milagres consumados. Já o insignificantíssimo pedido para se ser sábio
é a impressão de uma obra, contanto que seja volumosa.
Que lastima! Como poderemos ser
sábios e santos se a igreja, os editores e as academias não nos conhecer? Ora,
para justificar isto, criaram o dia de todos os santos e posteriormente os
blogs e redes sociais da internet, onde cada um diz o que pensa, sem, contudo,
pensar no que diz e mesmo assim obter fama.
Considero que os santos e os
sábios foram gente de fidalga nobreza, e isso, tanto no espírito, quanto nas ideias.
Essa mesma consideração leva-me mais longe: vejo que os bons sábios e santos
são também os mais antigos. No entanto não há nércio no mundo que não admire se
quer um sábio ou um santo.
Ainda sobre meu julgamento,
considero santo quem em tudo viveu a autenticidade, a fé em Deus e a
misericórdia. Por outro lado, acrescento que sábio, seja aquele que reúne em si
e em suas obras o conhecimento e a experiência. Em outras palavras, neste
quesito, sábio seria aquele que sabe ler: ler os céus (Galileu), ler a alma
(Freud), ler os tempos (Weber), ler os números (Ptolomeu), ler a natureza
(Aristóteles), ler a física (Heráclito), ler a metafísica (Platão), ler os
desígnios de Deus (Jesus Cristo).
Quanto aos santos, não há gênero
de estudo na Teologia moderna, tanto para os antigos como para os novos, que
distinga suas histórias e feitos. Hoje em dia, apesar de continuarem sendo
venerados, o estudo dos santos (Hagiologia) está relegado ao ostracismo. Nesse
mesmo gênero de estudo das histórias, enterraram também o estudo dos sábios. Na
filosofia moderna, que, singularmente parece merecer mais as confusões e
hermetismos, do que os inventos e esclarecimentos; observa-se um enveredar-se
nas linguagens rebuscadas que nada traz de valor. Enquanto que na teologia,
observa-se uma linguagem amena e agradável, sem conteúdo e repetitiva, que é a
narração pura das almas vazias que enchem nossa época.
Mas em suma, ainda hoje há grande
quantidade de coisas dignas de serem sabidas e reflexões invulgares que estamos
deixando de lado, trocando-as por coisas de indevido valor. Entretanto, o mundo
sabe: Pode-se ocultar os santos e os sábios; mas calar de uma vez por todas o
que eles foram e ensinaram são ações de conseqüências imperdoáveis.
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