Um poeta brasileiro visitou Paris. Logo na chegada encontrou tudo muito mudado em relação ao que dizia Henrique IV: “Paris vale uma missa”. De certo, pensou o poeta: “Paris vale várias missas”. Por lá se vê o universo em turbilhões de matéria sutil e suas luzes causam um fluxo no mar, no rio Sena, que corta a cidade, no Champs-Élysées, na praça da Concórdia, no Arco do Triunfo, em Notre-Dame, no centro Georges Pompidou, nos museus e em especial no Louvre, no Panthéon, em Versalhes, em Montmartre e em seus cafés. Nas artes que estampam Paris, nas lojas, nas grifes, na moda que a reveste. Visitando a Église de La Madeleine e descendo suas imponentes escadas o poeta constatou ali um mendigo que trazia escrito numa placa o seguinte dizer: “sou cego”. Outro olhar para o mendigo e o poeta observa que no seu chapéu não havia se quer uma moeda. Rapidamente o poeta se aproximou do mendigo, pediu emprestada a placa que o identificava como cego e nela escreveu: “É primavera e não consigo vê-la”. Afastando-se um pouco para analisar o resultado de sua ajuda, observou que em meia hora o chapéu do cego-mendigo havia transbordado de moedas e cordões de ouro.
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